IMG 2415

VEREADOR ALEX CHIODI SOLICITA ATENDIMENTO ESPECIALIZADO PARA OS PORTADORES DA SÍNDROME FIBROMIÁLGICA

Na reunião plenária desta terça-feira (29), o vereador Alex Chiodi apresentou requerimento solicitando à Prefeitura Municipal de Contagem, através da Secretaria de Saúde, a criação de um Centro de Especialidades para o Tratamento da Dor no município.

Segundo o parlamentar, o objetivo é oferecer o tratamento à saúde das pessoas que sofrem com a dor crônica, muitas destas diagnosticadas com a Síndrome Fibromiálgica, que já atinge 3% da população brasileira, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Em Contagem, assim como em outras cidades, não existe um local apropriado onde os portadores de doenças crônicas, como a fibromialgia, possam ser tratados e acompanhados por profissionais especializados. “O tratamento particular é muito caro e nem todos os médicos sabem identificar os sintomas da fibromialgia, porque eles são semelhantes ao de outras patologias o que dificulta o diagnóstico”, argumentou.

Chiodi explicou que para os efeitos de atendimento e tratamento, o Centro de Especialidades para o Tratamento da Dor deverá ser composto por equipe multidisciplinar, que envolve médico reumatologista, fisioterapeuta, psicólogo e eventualmente outros profissionais, para ajudar o paciente e seus familiares a adaptar-se às mudanças de vida impostas pela doença e oferecer-lhe  avaliação e tratamento da dor em todos os aspectos: físico, emocional e social.

Como medida paliativa, já que a criação do Centro demanda avaliação e outros protocolos, o vereador também solicitou a inserção do atendimento aos portadores da síndrome fibromiálgica, com a criação de grupos da mesma forma que foram criados os grupos da saúde mental, através do  NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) ou de outro programa de saúde, proporcionando assim a ampliação da atenção básica e melhorando a qualidade de vida de quem tem a doença e não tem condições de arcar com o tratamento. “Sabemos que mesmo não tendo cura, a fibromialgia pode ser controlada. Com o devido apontamento médico e acompanhamento especializado, é possível amenizar o sofrimento de quem tem a doença”, falou Chiodi.

A INVISÍVEL DOR DA FIBROMIALGIA

Dor em várias partes do corpo, fadiga, distúrbios do sono, dores de cabeça, depressão e ansiedade. Todos estes sintomas são característicos da Síndrome da Fibromialgia, que acomete 5% da população mundial e cerca de 80% das mulheres com idade entre 30 e 50 anos.

Um problema que não é fácil de detectar, porque seus sintomas são confundidos com os de outras doenças como tendinite, gota, lúpus, hipotireodismo e até esclerose múltipla. Em determinados casos é difícil definir se as dores são nos músculos ou nas articulações, o que costuma ser diagnosticado como dores psicológicas ou distúrbios psiquiátricos, aumentando o estigma e o preconceito em relação aos pacientes. Além disso, eles podem sofrer anos até obter o diagnóstico como é o caso da Helaine Faria. Há 26 anos ela sofre com a doença, mas apenas há 02 anos recebeu o diagnóstico da síndrome fibromiálgica. Helaine conta que as dores começaram quando ela tinha 15 anos e o peso da doença a atrapalhou em vários aspectos até o diagnóstico correto. “Tinha dificuldade de concentrar na escola por causa da dor e sentia muito cansaço. Também fui muito discriminada no trabalho, por amigos e até familiares. As pessoas diziam que eu fazia manha para estudar e que não gostava de trabalhar”, desabafou.

Após passar por muitos médicos e fazer vários exames, o diagnóstico da síndrome foi dado pelo médico fisiatra. “Falavam comigo que não era possível uma pessoa ter uma dor que não passa, então fui buscando respostas”, explicou. “A dor desmorona a gente e o sentimento é de incapacidade, mas essa dor está em mim e não posso deixá-la atrapalhar os meus sonhos”, concluiu.

A falta de compreensão da doença e do acompanhamento médico adequado também é um problema enfrentado por muitos pacientes. “Muitas vezes a própria família não entende o sofrimento de quem tem a doença e acaba não tendo paciência para ajudar e acha que é coisa da cabeça da pessoa”, destaca Ivania Gonzaga. “Eu procuro estar bem, mesmo sentindo muita dor. Graças a Deus recebo muito carinho dos meus filhos e do meu esposo e isto me ajuda a suportar, mas tem dias que não tenho forças nem para sair da cama”, revelou. Embora tenha que conviver com a sua dor, Ivania ainda tem força para lutar pelas outras pessoas que passam pelo mesmo problema. “Eu sei o que é sentir dor e não sou capaz de ver o sofrimento do próximo sem fazer nada. Procuro ajudar as pessoas que as vezes encontram-se em situações até piores do que a minha, porque cada um tem uma dificuldade diferente. As vezes a dificuldade maior é em aceitar o problema. Tenho conhecidas que estão em estado de prostração e de profunda depressão, outras que sofrem com a dor porque não têm o atendimento médico necessário”, lembrou.

Apesar da manifestação da síndrome ser mais comum em mulheres, homens, crianças e jovens não estão imunes à doença, como nos mostra Ademir Nascimento, que descobriu o problema há cerca de 03 anos. Para ajudar outras pessoas que também sofrem com a fibromialgia, Ademir criou o Grupo de Enfrentamento à Fibromialgia de Minas Gerais – GEFIBRO/MG  na rede social Facebook. O grupo tem como objetivo compartilhar informações sobre a síndrome fibromiálgica, além da troca de experiência e apoio entre os integrantes. “A nossa ideia é conscientizar as pessoas sobre a doença a partir da mobilização e buscar a melhoria da qualidade de vida para os portadores da fibromialgia”.

Dia Municipal de Enfrentamento à Fibromialgia

Após a reunião plenária desta terça-feira, o vereador Alex Chiodi recebeu em seu gabinete um grupo representando os portadores da síndrome fibromiálgica de Contagem e, nesse encontro foi sugerida a criação do Dia Municipal de Enfrentamento à Fibromialgia, entre outras ações.

A data deverá ser comemorada em 12 de Maio,que também é o Dia Mundial de Enfrentamento à Fibromialgia. A iniciativa visa despertar o interesse da população sobre a doença, além de promover debate de assuntos relacionados ao problema e, consequentemente, a troca de experiências e informações entre profissionais, pacientes e a população em geral.

/* ]]> */